divisão e oposição

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo
sutil e mordaz,
mulher e não mulher,
séria e falaz,
que fecunda e se esgota;
efígie sem contorno,
que cintila no escuro.

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo
frágil e abducente,
mãe e não mãe,
cega e clarividente,
que ouve e não ouve;
imagem sem reflexo,
que anuncia em silêncio.

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo
quieta e rumorosa
santa e não santa,
inerme e sestrosa,
que sente e não sente;
altar sem reverência,
que germina na fé.

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo tudo...
ao mesmo tempo nada...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 12 de novembro de 2008 – 21:50hs.

Um comentário:

Sílvia Mota disse...

Professor Ricardo escreveu:

Sílvia... você pode achar que é adulação, mas nossa! Babei nos seus escritos. Inspiradores, dignos de plágio, regozijantes... M E S M O!
Considere ofertar essa su'alma na forma de poesias, para mais pessoas a fim de que possam deleitar-se ante essas leituras. Mesmo aleatoriamente, ler trechos como os seus, que falam ao coração, ao menos em mim, desperta a certeza de que viver é buscar satisfação de uma forma passional, mas não desprovida de ética e respeito ante o limite de outrem. A poesia faz parte do rol de itens fundamentais para a satisfação das pessoas, embora nem todas já tenham alcançado tal conclusão.
Abraços do seu colega
Ricardo.
Ps - visitarei mais vezes seu BLOG.

Comentário postado em: 24 de novembro de 2008 06:52 (site antigo)